Na agricultura, o clima e o sucesso da operação de plantio estão diretamente ligados. Compreender essa relação é essencial para reduzir riscos e assegurar a rentabilidade de toda a safra.
Afinal, condições meteorológicas como seca, excesso de chuvas e temperaturas extremas podem comprometer o desenvolvimento das plantas desde a origem.
Neste artigo, você vai entender como o clima interfere no plantio, além de conhecer as práticas que ajudam a mitigar possíveis efeitos adversos.
Influência da radiação solar e da temperatura do solo
O Brasil é o maior produtor de soja do mundo e, na safra 2024/2025, deve atingir a produção de 169,7 milhões de toneladas do grão, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Suas dimensões continentais são responsáveis pela grande diversidade climática do país, fazendo com que os produtores precisem se adequar a essas variações.
A radiação solar é uma dessas variáveis, fundamental para que o solo atinja a temperatura ideal para o plantio que, de acordo com a Embrapa, deve variar entre 20ºC e 30ºC.
Em episódios excepcionais de calor, é recomendado cautela para semear.
“O calor excessivo no solo pode ter um efeito negativo no desenvolvimento em sementes de soja recém-semeadas, pois temperaturas extremas do solo podem causar danos às sementes, impedindo-as de germinar ou se desenvolver adequadamente”, como explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia.
Por outro lado, temperaturas menores ou iguais a 10°C também podem comprometer a operação, limitando ou mesmo impedindo o crescimento vegetativo e o desenvolvimento da soja.
Impacto do excesso de chuvas e da seca
O grande volume de chuvas também pode trazer danos à plantabilidade, principalmente devido ao encharcamento do solo, o que dificulta a entrada das máquinas e o ajuste de profundidade e espaçamento da lavoura.
Nessas condições, a operação deve ficar mais lenta, exigindo mais cuidado do operador e chegando a provocar o aumento no consumo de combustível e o desgaste de máquinas e implementos.
Já a execução do plantio em solo seco, sem chuvas recentes, apresenta outros grandes desafios, como o aumento na força de tração do maquinário, ocasionado pela patinagem, o que também pode levar a um maior consumo de combustível e à redução da profundidade de semeadura.
Em ambos os casos, é fundamental considerar seus efeitos na fertilidade e estrutura do solo, fatores essenciais para a emergência das sementes e, posteriormente, o enraizamento das plantas. Solos compactados, erodidos e lixiviados, por exemplo, podem comprometer todo o processo de plantio.
Boas práticas para minimizar os efeitos das adversidades climáticas
Embora haja riscos, existem mais estratégias capazes de reduzir esses riscos e contornar as intempéries, alinhando o melhor manejo às condições de cada região. Confira outras práticas:
- Conhecer o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) da sua área é crucial para planejar a safra de acordo com as condições climáticas da região. O ZARC analisa parâmetros de clima, solo e ciclos de cultivares, a partir de uma metodologia validada pela Embrapa e Ministério da Agricultura e Pecuária, o que permite identificar os riscos climáticos e evitar perdas na produção.
- Durante todas as etapas da safra, é essencial estar atento aos eventos climáticos futuros, acompanhando as previsões de órgãos especializados confiáveis, como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Assim, é possível antecipar situações críticas e atuar no controle de doenças desencadeadas pelo clima, a exemplo da ferrugem asiática.
- A adoção do Sistema de Plantio Direto (SPD), que estabelece o plantio sem revolvimento do solo e o uso de palhada, é uma prática que também ajuda a proteger o solo e as sementes contra o clima adverso. O SPD auxilia na redução da evaporação em períodos de seca, da erosão hídrica em caso de chuvas intensas e da erosão eólica em relação aos ventos fortes.
- A sucessão de culturas entre as safras é outra saída para melhorar a estrutura do solo e prepará-lo para receber as sementes. Além de aumentar a fertilidade e organizar o perfil do solo para uma germinação uniforme, a prática ajuda a proteger a lavoura contra a seca ou excesso de precipitações, regulando a umidade e favorecendo a germinação uniforme.
- Vale ressaltar que o uso de sementes certificadas, de pureza genética e adaptadas aos desafios de cada região, é um ponto fundamental para o bom desenvolvimento da soja. Desde a origem, a adequação à realidade do ambiente produtivo ajuda a promover o bom desenvolvimento e a produtividade da lavoura. Clique para conferir o portfólio de sementes Neogen.
E você, tem alguma dica ou estratégia especial para garantir um bom plantio? Divida conosco abaixo, nos comentários!
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